CATÁLOGO DIGITAL · INDÚSTRIA TÊXTIL · 2022

Catálogo digital para uma têxtil de 1930 que vendia com amostras coladas à mão

Como uma têxtil portuguesa quase centenária substituiu dois meses de catálogo físico por uma ferramenta que o representante usa em pé, em movimento, no meio de uma venda.

CLIENTE

A Penteadora · Grupo Paulo de Oliveira

PAPEL

Designer de produto, única designer da empresa

PERÍODO

Fevereiro de 2022 a fevereiro de 2023

STATUS

Catálogo e design system entregues dentro do contrato. O lançamento ficou condicionado à autorização do Grupo Paulo de Oliveira, decisão fora do escopo do design.

RESUMO

Substituiu um processo de dois meses de catálogo físico, com amostras coladas à mão, por um catálogo digital atualizado na hora.

Design system construído do zero: 9 componentes documentados e 39 telas mobile-first.

Estrutura desenhada para manutenção por uma única pessoa sem conhecimento técnico, sem depender de equipe técnica.

01

O problema não era o papel, era a propagação do erro

O PROBLEMA REAL

O pedido era digitalizar o catálogo. O problema real era a fragilidade do processo inteiro: qualquer erro numa etapa se propagava para todas as seguintes, e não havia correção possível depois que o catálogo saía da fábrica.

A DECISÃO QUE DEFINIU O PROJETO

Estruturar o catálogo pela lógica de quem compra e não pela de quem produz, e garantir que uma única pessoa sem conhecimento técnico conseguisse manter o conteúdo depois da saída da designer responsável.

VALIDAÇÃO

Shadowing com representantes em visita a cliente e em feira internacional, mais protótipos de baixa e média fidelidade revisados com a equipe comercial antes da entrega final.

02

O desafio não começava no catálogo

A Penteadora é uma têxtil portuguesa fundada em 1930, em Unhais da Serra, na Serra da Estrela. É verticalizada, da fibra ao tecido acabado, e faz parte do Grupo Paulo de Oliveira, um dos maiores produtores de tecidos laneiros da Europa. Seus clientes são marcas de moda, criadores e lojistas de todo o mundo, presentes em feiras como a Milano Unica e a Première Vision. O que não existia era qualquer produto digital, design system ou histórico de interface.

1930

Quase um século de operação, da fibra ao tecido acabado.

2 MESES

Entre a coleção pronta e o catálogo nas mãos do representante.

3 EQUIPES

Desenvolvimento de produto, tecelagem e amostras, mais logística internacional.

1 DESIGNER

Nenhum componente, nenhum padrão e nenhum histórico digital anterior.

PROCESSO ANTERIOR

O processo que parecia apenas caro

Antes do catálogo digital, cada coleção era apresentada num catálogo impresso com amostras de tecido cortadas e coladas à mão. O que parecia um problema de custo e prazo era, na verdade, um problema de confiança.

CATÁLOGO FÍSICO

Amostras coladas à mão, página a página

Imprimir, cortar amostras, colar uma a uma nas páginas corretas, embalar e enviar para representantes e clientes em vários países. Pelo menos três equipes simultâneas mais logística internacional, com no mínimo dois meses entre a coleção pronta e o catálogo na mão do representante.

O INSIGHT

O erro não era visível para quem vendia

Nesse intervalo, qualquer mudança na coleção não se propagava. Catálogos saíam com produtos descontinuados e amostras coladas em referências erradas. O representante vendia com informação incorreta sem saber que a informação estava incorreta.

03

Construir a fundação antes da interface

A Penteadora não tinha design system, histórico de produto digital nem componentes estabelecidos. O primeiro desafio não era resolver o problema, era criar a base sobre a qual a solução poderia ser construída, com padrões que a empresa conseguisse manter depois da saída da designer responsável.

Timeline do projeto

Iniciado em fevereiro de 2022 · design system construído do zero · catálogo e biblioteca entregues em fevereiro de 2023

8 fases

• 12 meses como única designer

01

Diagnóstico do processo

Mapeamento do catálogo físico e dos pontos de falha.

02

Shadowing em campo

Visita a cliente e feira internacional.

03

Benchmarking

Como comunicar textura e cor numa tela.

04

Fundação do sistema

Tokens, tipografia e escala de espaçamento.

05

Biblioteca de componentes

Nove componentes com estados documentados.

06

Fluxos e telas

Catálogo, busca, comparação e pedido.

07

Validação com representantes

Protótipos revisados com a equipe comercial.

08

Entrega

Lançamento condicionado à autorização do grupo.

PESQUISA

Duas frentes antes de abrir o Figma

Antes de propor qualquer solução, era preciso entender como o representante realmente usa um catálogo em contexto de venda e como outras empresas comunicam textura, cor e caimento numa tela.

01

Shadowing em visita a cliente

Contexto controlado, com tempo para consulta. O representante folheia, aponta, compara duas referências ao mesmo tempo e dobra a página para voltar depois. O catálogo físico é instrumento de conversa, não de consulta silenciosa.

02

Shadowing em feira internacional

Contexto caótico, com o representante apresentando enquanto responde a pessoas diferentes ao mesmo tempo. Qualquer solução que funcionasse só num dos dois contextos não seria adotada. Esse contraste definiu mobile-first como decisão de contexto, não de preferência.

03

Benchmarking de catálogos digitais de tecido

A pergunta central era como comunicar textura, cor e caimento numa tela. As referências mais eficazes usavam fotografia com iluminação controlada e zoom, ou tecidos reais escaneados em 3D. A precisão de cor separava um catálogo que gerava confiança de um que não gerava.

04

Dois contextos de uso, não duas personas

CONTEXTO 1 · VISITA A CLIENTE

Consulta com tempo

Ambiente controlado, um cliente por vez, espaço para abrir o catálogo sobre a mesa e voltar às páginas quantas vezes for preciso.

O QUE O REPRESENTANTE FAZ

• Compara duas referências lado a lado

• Dobra a página para voltar depois

• Consulta composição e peso durante a conversa

O QUE ISSO EXIGE DO DIGITAL

• Comparação simultânea de referências

• Retorno rápido ao ponto anterior

• Ficha técnica visível sem sair da tela

CONTEXTO 2 · FEIRA INTERNACIONAL

Apresentação sob pressão

Milano Unica e Première Vision. Em pé, em movimento, apresentando para uma pessoa enquanto responde a outra, com luz variável e sem apoio para as mãos.

O QUE O REPRESENTANTE FAZ

• Mostra e fala ao mesmo tempo

• Alterna entre clientes sem perder o ponto

• Precisa achar uma referência em segundos

O QUE ISSO EXIGE DO DIGITAL

• Alvo de toque grande, sem precisão milimétrica

• Hierarquia legível em luz externa

• Busca que responde em poucos toques

COMPARATIVO: PROCESSO FÍSICO VS. CATÁLOGO DIGITAL

ETAPA

ANTES (CATÁLOGO FÍSICO)

DEPOIS (CATÁLOGO DIGITAL)

Produção

Impressão, corte e colagem manual de amostras por três equipes, mais logística internacional. Dois meses até chegar ao representante.

Publicação da coleção pelo próprio time, sem impressão e sem envio físico.

Apresentação

Amostra real na mão, mas sujeita a colagem em referência errada.

Fotografia com precisão de cor e ficha técnica ao lado, com comparação lado a lado.

Busca

Folhear por código interno, que só fazia sentido para a equipe da fábrica.

Busca por atributo pesquisável: composição, peso, acabamento e destino de uso.

Correção

Impossível depois que o catálogo saía da fábrica. O erro seguia em campo até a coleção seguinte.

Atualização imediata por uma única pessoa sem conhecimento técnico.

Nova coleção

Novo ciclo completo de impressão, colagem e envio internacional.

Novo conteúdo publicado sobre a mesma estrutura, sem novo custo de produção física.

05

A vantagem do digital estava na busca, não na tela

O catálogo físico organizava os tecidos pela lógica de produção da fábrica, com códigos numéricos que só faziam sentido para a equipe interna. Num catálogo digital, onde busca e filtro são possíveis, manter essa nomenclatura opaca desperdiçaria a principal vantagem do formato.

ANTES VS DEPOIS

ANTES

CÓDIGO INTERNO → FOLHEAR ATÉ ACHAR

O comprador dependia do representante para traduzir o código

Evolução

DEPOIS

REFERÊNCIA + COMPOSIÇÃO · PESO · ACABAMENTO · DESTINO

Busca por atributo, com o código preservado para a equipe interna

TRÊS CAMINHOS DE NOMENCLATURA CONSIDERADOS

A

Manter apenas o código de referência

Arquitetura

Só código numérico

Benefício

Zero mudança para a fábrica

Custo

Ilegível para o comprador externo

DECISÃO: DESCARTADA

B

Substituir por nomes descritivos

Arquitetura

Nome substitui o código

Benefício

Legível para quem compra

Custo

Quebra a rastreabilidade interna

DECISÃO: DESCARTADA

C

Código interno mais atributos pesquisáveis

Arquitetura

Código mais atributos

Benefício

Busca por composição e uso

Custo

Exige metadado por referência

DECISÃO: ESCOLHIDA

06

Quatro decisões que definiram o produto

1

A qualidade visual do tecido era a decisão mais crítica

DECISÃO

Definir como cada tecido seria fotografado ou escaneado em 3D, com precisão de cor e fidelidade de textura.

POR QUÊ

No catálogo físico o representante mostra a amostra real. No digital, a imagem é o produto, e sem fidelidade não há confiança nem pedido.

ALTERNATIVA DESCARTADA

Reaproveitar a fotografia de catálogo existente, feita para impressão e sem controle de cor para tela.

CUSTO ACEITO

Produção fotográfica mais cara e mais lenta a cada coleção.

2

Código interno mais atributos pesquisáveis

DECISÃO

Manter a referência interna e complementá-la com composição, peso, acabamento e destino de uso.

POR QUÊ

A busca é a principal vantagem do digital sobre o papel. Manter nomenclatura opaca desperdiçaria exatamente isso.

ALTERNATIVA DESCARTADA

Substituir o código por nomes descritivos, quebrando a rastreabilidade da fábrica.

CUSTO ACEITO

Preenchimento de metadado por referência a cada nova coleção.

3

Atualização na mão de uma pessoa só

DECISÃO

Uma única pessoa sem conhecimento técnico precisa conseguir atualizar ou retirar uma referência.

POR QUÊ

O custo invisível do catálogo físico era a dependência de três equipes para qualquer correção.

ALTERNATIVA DESCARTADA

Fluxo de atualização via equipe técnica ou fornecedor externo.

CUSTO ACEITO

Limitou a complexidade do conteúdo ao que uma pessoa consegue manter sozinha.

4

Mobile-first como decisão de contexto, não de preferência

DECISÃO

Alvos de toque grandes, hierarquia legível em luz externa e navegação no ritmo de uma conversa de venda.

POR QUÊ

O shadowing mostrou que o uso dominante é em pé, em movimento, dentro de uma conversa com cliente.

ALTERNATIVA DESCARTADA

Desktop-first, mais próximo do fluxo interno da fábrica e do escritório de vendas.

CUSTO ACEITO

Menor densidade de informação por tela no desktop.

design system

A fundação antes da interface

1

FUNDAÇÃO: TOKENS E ESTILOS

BRAND GOLD · 11 PASSOS · BASE C0942A

50

100

200

300

400

500

600

700

800

900

950

01. PALETA GOLD E BRAND

NEUTRAL · 12 PASSOS, BASE QUENTE

FEEDBACK · 4 ESTADOS

ERROR

WARNING

SUCCESS

INFO

02. NEUTROS E FEEDBACK

INTER · 15 ESTILOS EM SEIS FAMÍLIAS DE USO

Aa

DISPLAY M

Aa

H2

Aa

BODY

Aa

OVERLINE

Display L

Bold · 48/56

Display M

Bold · 36/44

Display S

Semi Bold · 30/38

H1

Semi Bold · 28/36

H2

Semi Bold · 24/32

H3

Semi Bold · 20/28

H4

Medium · 18/26

03. ESCALA TIPOGRÁFICA

ESCALA DE 4 · 12 PASSOS, DE 4 A 96

1

4px

2

8px

3

12px

4

16px

5

20px

6

24px

8

32px

10

40px

12

48px

16

64px

20

80px

24

96px

04. ESCALA DE ESPAÇAMENTO

TOKEN SEMÂNTICO

LIGHT

DARK

surface/page

surface/raised

text/primary

text/muted

border/default

action/primary

05. TOKENS SEMÂNTICOS · LIGHT E DARK

2

BIBLIOTECA: COMPONENTES COM ESTADOS

BUTTON · PRIMARY, SECONDARY, TERTIARY, GHOST

Primary

Secondary

Tertiary

Ghost

FILTER CHIP · DEFAULT E ACTIVE

Linho

01. BUTTON · 4 ESTILOS

INPUT · DEFAULT, FOCUSED, ERROR, DISABLED

DEFAULT

Buscar por composição

FOCUSED

Buscar por composição

ERROR

Referência 4520

Campo obrigatório

DISABLED

Buscar por composição

02. INPUT · DEFAULT, FOCUS, ERROR, DISABLED

TEXTURA

REF. 4520

Nome do Tecido

80% Lã · 20% Poliéster

Brand

Neutral

Largura: 150cm · Peso: 280g/m²

FILTER CHIP

Linho

Seda

Inverno

SEARCH BAR

Pesquisar tecidos...

03. FABRIC CARD E FILTER CHIP

ORDER STATUS · 4 ESTADOS

Pendente

Em Produção

Enviado

Entregue

ORDER CARD

Pedido #2847

Pendente

15 de Março, 2025 · 3 artigos

Total estimado

€ 2.450,00

04. ORDER STATUS · 4 ESTADOS

08

O que foi validado, e o que não foi

Revisão com representantes · sem teste formal

O que aconteceu

Não houve teste de usabilidade formal, com roteiro, tarefas cronometradas e métricas. O que houve foi revisão contínua: protótipos de baixa e média fidelidade apresentados a representantes durante o desenvolvimento, com objeções incorporadas antes da entrega final. Fica registrado como revisão qualitativa, não como validação estatística.

Objeções levadas a sério e o que mudou

01

Incorporada

Comparar duas referências lado a lado era o gesto mais repetido no catálogo físico. Virou tela dedicada de comparação, não um recurso escondido em filtro.

02

Incorporada

Representantes veteranos rejeitaram perder o código interno. O código foi preservado como campo principal, com os atributos pesquisáveis ao lado, não no lugar.

03

Incorporada

A ficha técnica saía da tela durante a conversa. Composição, peso e acabamento passaram a ficar visíveis junto da imagem, sem navegação adicional.

04

Em aberto

A objeção tátil permanece: tecido é produto que se sente. Nenhuma decisão de tela resolve isso, e o catálogo digital não foi desenhado para substituir a amostra física em venda de alto valor.

Síntese

A revisão com representantes mudou três decisões de estrutura antes da entrega e confirmou que a resistência da equipe carregava informação, não apenas hábito. O que ela não produz é evidência de desempenho: sem teste em produção, não há dado de adoção, tempo de tarefa ou taxa de erro.

1. O que ficaria para o primeiro teste em produção

Busca por código de referência contra busca por atributo pesquisável, medindo tempo até encontrar uma referência específica e taxa de abandono da busca.

2. A hipótese por trás desse teste

Representantes com menos tempo de casa adeririam mais rápido à busca por atributo, enquanto os veteranos manteriam o código. Isso indicaria manter os dois caminhos de forma permanente, não apenas durante a transição.

wireframes

Estrutura antes do visual

ACESSO E CONTA

FLUXO DO ATLETA (B2C)

Ação primária

Ação secundária

01. BOAS-VINDAS

Iniciar Sessão

Ação primária

Ação secundária

02. LOGIN

Criar Conta

Ação primária

03. CRIAR CONTA

DESCOBERTA E PEDIDO

FLUXO DO LOJISTA (B2B)

Coleções da estação

01. CATÁLOGO

Composição

Peso (g/m²)

Tipo de tecelagem

Ação secundária

Ação primária

02. BUSCA E FILTROS

Nome do tecido

Especificações

Cores disponíveis

Ação secundária

Ação primária

03. DETALHE DO TECIDO

Comparar especificações

Ação primária

04. COMPARAÇÃO

A sua seleção

Resumo

Ação primária

05. CARRINHO

Confirmar Pedido

Ação primária

06. CONFIRMAÇÃO

Os Meus Pedidos

07. HISTÓRICO

Progresso da entrega

08. RASTREIO

Encomenda Entregue

Ação primária

Ação secundária

09. ENTREGA

Avaliar Encomenda

Ação primária

10. AVALIAÇÃO

Treze telas do catálogo digital, desenhadas mobile-first para o contexto real de uso: o representante em pé, no meio de uma conversa de venda.

DECISÃO DE PROCESSO

Por que mobile primeiro, e não depois

O shadowing definiu o contexto dominante: o representante usa o catálogo em pé, em movimento, no meio de uma conversa. Desenhar mobile primeiro não foi preferência, foi consequência de onde a venda acontece.

1

FLUXO DO REPRESENTANTE (MOBILE)

01. CATÁLOGO

02. DETALHE DO TECIDO

03. BUSCA E FILTROS

04. COMPARAÇÃO DE TECIDOS

05. CARRINHO

06. PEDIDO

07. RASTREIO DO PEDIDO

08. HISTÓRICO DE PEDIDOS

09. LOGIN DO REPRESENTANTE

10. AVALIAÇÃO PÓS-ENTREGA

2

ACESSO E CONTA

01. BOAS-VINDAS

02. CRIAR CONTA

03. ENTREGA CONCLUÍDA

09

Escopo entregue

Design system do zero

Tokens de cor, tipografia e espaçamento.

9 componentes

Com variantes e estados documentados.

39 telas

Mobile, tablet e desktop.

Catálogo navegável

Busca, filtro e comparação de tecidos.

Fluxo de pedido

Carrinho, checkout e rastreio.

Rebranding

Posicionamento e identidade visual.

MÉTRICAS DEFINIDAS, NÃO MEDIDAS

ON TRACK

78%

+12%

Taxa de adoção

Representantes usando o catálogo em campo

Meta: 90% em 6 meses

IMPROVING

-62%

-85pp

Erro de referência

Pedidos com referência incorreta

Baseline: 23% de erro

FAST

4.2 min

-7.8 min

Tempo até o pedido

Da apresentação à confirmação

Anterior: 12 min

SAVED

R$ 1.8k

-78%

Custo por coleção

Produção e envio de catálogo físico

Anterior: R$ 8.5k

O lançamento ficou condicionado à autorização do Grupo Paulo de Oliveira, decisão estratégica fora do escopo do projeto de design. Os KPIs acima foram definidos durante o projeto e nunca chegaram a ser medidos em produção.

10

O que este projeto ensinou

01

Quando não há histórico digital, a primeira entrega é a fundação

Antes da interface vieram os tokens, a biblioteca e a regra de manutenção. Sem isso, o catálogo teria virado um arquivo que ninguém conseguiria atualizar depois da saída da designer responsável.

02

Resistência interna carrega informação

As equipes com mais de 20 anos de casa não estavam erradas em ser céticas, sabiam onde o processo antigo funcionava. As melhores decisões vieram de objeções levadas a sério, não de consenso fácil.

03

Contexto de uso precede qualquer decisão de interface

Onde e como o representante usaria o catálogo, em pé, em movimento, dentro de uma conversa com cliente, definiu as prioridades de uma forma que nenhum briefing escrito teria conseguido.

04

Sustentabilidade depois da entrega é decisão de design

Projetar para que uma pessoa não técnica mantivesse o conteúdo pesou tanto quanto qualquer escolha visual. Produto que ninguém consegue atualizar morre na segunda coleção.

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© 2026 Neliana Zaplana Braga

CATÁLOGO DIGITAL · INDÚSTRIA TÊXTIL · 2022

Catálogo digital para uma têxtil de 1930 que vendia com amostras coladas à mão

Como uma têxtil portuguesa quase centenária substituiu dois meses de catálogo físico por uma ferramenta que o representante usa em pé, em movimento, no meio de uma venda.

CLIENTE

A Penteadora · Grupo Paulo de Oliveira

PAPEL

Designer de produto, única designer da empresa

PERÍODO

Fevereiro de 2022 a fevereiro de 2023

STATUS

Catálogo e design system entregues dentro do contrato. O lançamento ficou condicionado à autorização do Grupo Paulo de Oliveira, decisão fora do escopo do design.

RESUMO

Substituiu um processo de dois meses de catálogo físico, com amostras coladas à mão, por um catálogo digital atualizado na hora.

Design system construído do zero: 9 componentes documentados e 39 telas mobile-first.

Estrutura desenhada para manutenção por uma única pessoa sem conhecimento técnico, sem depender de equipe técnica.

01

O problema não era o papel, era a propagação do erro

O PROBLEMA REAL

O pedido era digitalizar o catálogo. O problema real era a fragilidade do processo inteiro: qualquer erro numa etapa se propagava para todas as seguintes, e não havia correção possível depois que o catálogo saía da fábrica.

A DECISÃO QUE DEFINIU O PROJETO

Estruturar o catálogo pela lógica de quem compra e não pela de quem produz, e garantir que uma única pessoa sem conhecimento técnico conseguisse manter o conteúdo depois da saída da designer responsável.

VALIDAÇÃO

Shadowing com representantes em visita a cliente e em feira internacional, mais protótipos de baixa e média fidelidade revisados com a equipe comercial antes da entrega final.

02

O desafio não começava no catálogo

A Penteadora é uma têxtil portuguesa fundada em 1930, em Unhais da Serra, na Serra da Estrela. É verticalizada, da fibra ao tecido acabado, e faz parte do Grupo Paulo de Oliveira, um dos maiores produtores de tecidos laneiros da Europa. Seus clientes são marcas de moda, criadores e lojistas de todo o mundo, presentes em feiras como a Milano Unica e a Première Vision. O que não existia era qualquer produto digital, design system ou histórico de interface.

1930

Quase um século de operação, da fibra ao tecido acabado.

2 MESES

Entre a coleção pronta e o catálogo nas mãos do representante.

3 EQUIPES

Desenvolvimento de produto, tecelagem e amostras, mais logística internacional.

1 DESIGNER

Nenhum componente, nenhum padrão e nenhum histórico digital anterior.

PROCESSO ANTERIOR

O processo que parecia apenas caro

Antes do catálogo digital, cada coleção era apresentada num catálogo impresso com amostras de tecido cortadas e coladas à mão. O que parecia um problema de custo e prazo era, na verdade, um problema de confiança.

CATÁLOGO FÍSICO

Amostras coladas à mão, página a página

Imprimir, cortar amostras, colar uma a uma nas páginas corretas, embalar e enviar para representantes e clientes em vários países. Pelo menos três equipes simultâneas mais logística internacional, com no mínimo dois meses entre a coleção pronta e o catálogo na mão do representante.

O INSIGHT

O erro não era visível para quem vendia

Nesse intervalo, qualquer mudança na coleção não se propagava. Catálogos saíam com produtos descontinuados e amostras coladas em referências erradas. O representante vendia com informação incorreta sem saber que a informação estava incorreta.

03

Construir a fundação antes da interface

A Penteadora não tinha design system, histórico de produto digital nem componentes estabelecidos. O primeiro desafio não era resolver o problema, era criar a base sobre a qual a solução poderia ser construída, com padrões que a empresa conseguisse manter depois da saída da designer responsável.

Timeline do projeto

Iniciado em fevereiro de 2022 · design system construído do zero · catálogo e biblioteca entregues em fevereiro de 2023

8 fases

• 12 meses como única designer

01

Diagnóstico do processo

Mapeamento do catálogo físico e dos pontos de falha.

02

Shadowing em campo

Visita a cliente e feira internacional.

03

Benchmarking

Como comunicar textura e cor numa tela.

04

Fundação do sistema

Tokens, tipografia e escala de espaçamento.

05

Biblioteca de componentes

Nove componentes com estados documentados.

06

Fluxos e telas

Catálogo, busca, comparação e pedido.

07

Validação com representantes

Protótipos revisados com a equipe comercial.

08

Entrega

Lançamento condicionado à autorização do grupo.

PESQUISA

Duas frentes antes de abrir o Figma

Antes de propor qualquer solução, era preciso entender como o representante realmente usa um catálogo em contexto de venda e como outras empresas comunicam textura, cor e caimento numa tela.

01

Shadowing em visita a cliente

Contexto controlado, com tempo para consulta. O representante folheia, aponta, compara duas referências ao mesmo tempo e dobra a página para voltar depois. O catálogo físico é instrumento de conversa, não de consulta silenciosa.

02

Shadowing em feira internacional

Contexto caótico, com o representante apresentando enquanto responde a pessoas diferentes ao mesmo tempo. Qualquer solução que funcionasse só num dos dois contextos não seria adotada. Esse contraste definiu mobile-first como decisão de contexto, não de preferência.

03

Benchmarking de catálogos digitais de tecido

A pergunta central era como comunicar textura, cor e caimento numa tela. As referências mais eficazes usavam fotografia com iluminação controlada e zoom, ou tecidos reais escaneados em 3D. A precisão de cor separava um catálogo que gerava confiança de um que não gerava.

04

Dois contextos de uso, não duas personas

CONTEXTO 1 · VISITA A CLIENTE

Consulta com tempo

Ambiente controlado, um cliente por vez, espaço para abrir o catálogo sobre a mesa e voltar às páginas quantas vezes for preciso.

O QUE O REPRESENTANTE FAZ

• Compara duas referências lado a lado

• Dobra a página para voltar depois

• Consulta composição e peso durante a conversa

O QUE ISSO EXIGE DO DIGITAL

• Comparação simultânea de referências

• Retorno rápido ao ponto anterior

• Ficha técnica visível sem sair da tela

CONTEXTO 2 · FEIRA INTERNACIONAL

Apresentação sob pressão

Milano Unica e Première Vision. Em pé, em movimento, apresentando para uma pessoa enquanto responde a outra, com luz variável e sem apoio para as mãos.

O QUE O REPRESENTANTE FAZ

• Mostra e fala ao mesmo tempo

• Alterna entre clientes sem perder o ponto

• Precisa achar uma referência em segundos

O QUE ISSO EXIGE DO DIGITAL

• Alvo de toque grande, sem precisão milimétrica

• Hierarquia legível em luz externa

• Busca que responde em poucos toques

COMPARATIVO: PROCESSO FÍSICO VS. CATÁLOGO DIGITAL

ETAPA

ANTES (CATÁLOGO FÍSICO)

DEPOIS (CATÁLOGO DIGITAL)

Produção

Impressão, corte e colagem manual de amostras por três equipes, mais logística internacional. Dois meses até chegar ao representante.

Publicação da coleção pelo próprio time, sem impressão e sem envio físico.

Apresentação

Amostra real na mão, mas sujeita a colagem em referência errada.

Fotografia com precisão de cor e ficha técnica ao lado, com comparação lado a lado.

Busca

Folhear por código interno, que só fazia sentido para a equipe da fábrica.

Busca por atributo pesquisável: composição, peso, acabamento e destino de uso.

Correção

Impossível depois que o catálogo saía da fábrica. O erro seguia em campo até a coleção seguinte.

Atualização imediata por uma única pessoa sem conhecimento técnico.

Nova coleção

Novo ciclo completo de impressão, colagem e envio internacional.

Novo conteúdo publicado sobre a mesma estrutura, sem novo custo de produção física.

05

A vantagem do digital estava na busca, não na tela

O catálogo físico organizava os tecidos pela lógica de produção da fábrica, com códigos numéricos que só faziam sentido para a equipe interna. Num catálogo digital, onde busca e filtro são possíveis, manter essa nomenclatura opaca desperdiçaria a principal vantagem do formato.

ANTES VS DEPOIS

ANTES

CÓDIGO INTERNO → FOLHEAR ATÉ ACHAR

O comprador dependia do representante para traduzir o código

Evolução

DEPOIS

REFERÊNCIA + COMPOSIÇÃO · PESO · ACABAMENTO · DESTINO

Busca por atributo, com o código preservado para a equipe interna

TRÊS CAMINHOS DE NOMENCLATURA CONSIDERADOS

A

Manter apenas o código de referência

Arquitetura

Só código numérico

Benefício

Zero mudança para a fábrica

Custo

Ilegível para o comprador externo

DECISÃO: DESCARTADA

B

Substituir por nomes descritivos

Arquitetura

Nome substitui o código

Benefício

Legível para quem compra

Custo

Quebra a rastreabilidade interna

DECISÃO: DESCARTADA

C

Código interno mais atributos pesquisáveis

Arquitetura

Código mais atributos

Benefício

Busca por composição e uso

Custo

Exige metadado por referência

DECISÃO: ESCOLHIDA

06

Quatro decisões que definiram o produto

1

A qualidade visual do tecido era a decisão mais crítica

DECISÃO

Definir como cada tecido seria fotografado ou escaneado em 3D, com precisão de cor e fidelidade de textura.

POR QUÊ

No catálogo físico o representante mostra a amostra real. No digital, a imagem é o produto, e sem fidelidade não há confiança nem pedido.

ALTERNATIVA DESCARTADA

Reaproveitar a fotografia de catálogo existente, feita para impressão e sem controle de cor para tela.

CUSTO ACEITO

Produção fotográfica mais cara e mais lenta a cada coleção.

2

Código interno mais atributos pesquisáveis

DECISÃO

Manter a referência interna e complementá-la com composição, peso, acabamento e destino de uso.

POR QUÊ

A busca é a principal vantagem do digital sobre o papel. Manter nomenclatura opaca desperdiçaria exatamente isso.

ALTERNATIVA DESCARTADA

Substituir o código por nomes descritivos, quebrando a rastreabilidade da fábrica.

CUSTO ACEITO

Preenchimento de metadado por referência a cada nova coleção.

3

Atualização na mão de uma pessoa só

DECISÃO

Uma única pessoa sem conhecimento técnico precisa conseguir atualizar ou retirar uma referência.

POR QUÊ

O custo invisível do catálogo físico era a dependência de três equipes para qualquer correção.

ALTERNATIVA DESCARTADA

Fluxo de atualização via equipe técnica ou fornecedor externo.

CUSTO ACEITO

Limitou a complexidade do conteúdo ao que uma pessoa consegue manter sozinha.

4

Mobile-first como decisão de contexto, não de preferência

DECISÃO

Alvos de toque grandes, hierarquia legível em luz externa e navegação no ritmo de uma conversa de venda.

POR QUÊ

O shadowing mostrou que o uso dominante é em pé, em movimento, dentro de uma conversa com cliente.

ALTERNATIVA DESCARTADA

Desktop-first, mais próximo do fluxo interno da fábrica e do escritório de vendas.

CUSTO ACEITO

Menor densidade de informação por tela no desktop.

design system

A fundação antes da interface

1

FUNDAÇÃO: TOKENS E ESTILOS

BRAND GOLD · 11 PASSOS · BASE C0942A

50

100

200

300

400

500

600

700

800

900

950

01. PALETA GOLD E BRAND

NEUTRAL · 12 PASSOS, BASE QUENTE

FEEDBACK · 4 ESTADOS

ERROR

WARNING

SUCCESS

INFO

02. NEUTROS E FEEDBACK

INTER · 15 ESTILOS EM SEIS FAMÍLIAS DE USO

Aa

DISPLAY M

Aa

H2

Aa

BODY

Aa

OVERLINE

Display L

Bold · 48/56

Display M

Bold · 36/44

Display S

Semi Bold · 30/38

H1

Semi Bold · 28/36

H2

Semi Bold · 24/32

H3

Semi Bold · 20/28

H4

Medium · 18/26

03. ESCALA TIPOGRÁFICA

ESCALA DE 4 · 12 PASSOS, DE 4 A 96

1

4px

2

8px

3

12px

4

16px

5

20px

6

24px

8

32px

10

40px

12

48px

16

64px

20

80px

24

96px

04. ESCALA DE ESPAÇAMENTO

TOKEN SEMÂNTICO

LIGHT

DARK

surface/page

surface/raised

text/primary

text/muted

border/default

action/primary

05. TOKENS SEMÂNTICOS · LIGHT E DARK

2

BIBLIOTECA: COMPONENTES COM ESTADOS

BUTTON · PRIMARY, SECONDARY, TERTIARY, GHOST

Primary

Secondary

Tertiary

Ghost

FILTER CHIP · DEFAULT E ACTIVE

Linho

01. BUTTON · 4 ESTILOS

INPUT · DEFAULT, FOCUSED, ERROR, DISABLED

DEFAULT

Buscar por composição

FOCUSED

Buscar por composição

ERROR

Referência 4520

Campo obrigatório

DISABLED

Buscar por composição

02. INPUT · DEFAULT, FOCUS, ERROR, DISABLED

TEXTURA

REF. 4520

Nome do Tecido

80% Lã · 20% Poliéster

Brand

Neutral

Largura: 150cm · Peso: 280g/m²

FILTER CHIP

Linho

Seda

Inverno

SEARCH BAR

Pesquisar tecidos...

03. FABRIC CARD E FILTER CHIP

ORDER STATUS · 4 ESTADOS

Pendente

Em Produção

Enviado

Entregue

ORDER CARD

Pedido #2847

Pendente

15 de Março, 2025 · 3 artigos

Total estimado

€ 2.450,00

04. ORDER STATUS · 4 ESTADOS

08

O que foi validado, e o que não foi

Revisão com representantes · sem teste formal

O que aconteceu

Não houve teste de usabilidade formal, com roteiro, tarefas cronometradas e métricas. O que houve foi revisão contínua: protótipos de baixa e média fidelidade apresentados a representantes durante o desenvolvimento, com objeções incorporadas antes da entrega final. Fica registrado como revisão qualitativa, não como validação estatística.

Objeções levadas a sério e o que mudou

01

Incorporada

Comparar duas referências lado a lado era o gesto mais repetido no catálogo físico. Virou tela dedicada de comparação, não um recurso escondido em filtro.

02

Incorporada

Representantes veteranos rejeitaram perder o código interno. O código foi preservado como campo principal, com os atributos pesquisáveis ao lado, não no lugar.

03

Incorporada

A ficha técnica saía da tela durante a conversa. Composição, peso e acabamento passaram a ficar visíveis junto da imagem, sem navegação adicional.

04

Em aberto

A objeção tátil permanece: tecido é produto que se sente. Nenhuma decisão de tela resolve isso, e o catálogo digital não foi desenhado para substituir a amostra física em venda de alto valor.

Síntese

A revisão com representantes mudou três decisões de estrutura antes da entrega e confirmou que a resistência da equipe carregava informação, não apenas hábito. O que ela não produz é evidência de desempenho: sem teste em produção, não há dado de adoção, tempo de tarefa ou taxa de erro.

1. O que ficaria para o primeiro teste em produção

Busca por código de referência contra busca por atributo pesquisável, medindo tempo até encontrar uma referência específica e taxa de abandono da busca.

2. A hipótese por trás desse teste

Representantes com menos tempo de casa adeririam mais rápido à busca por atributo, enquanto os veteranos manteriam o código. Isso indicaria manter os dois caminhos de forma permanente, não apenas durante a transição.

wireframes

Estrutura antes do visual

ACESSO E CONTA

FLUXO DO ATLETA (B2C)

Ação primária

Ação secundária

01. BOAS-VINDAS

Iniciar Sessão

Ação primária

Ação secundária

02. LOGIN

Criar Conta

Ação primária

03. CRIAR CONTA

DESCOBERTA E PEDIDO

FLUXO DO LOJISTA (B2B)

Coleções da estação

01. CATÁLOGO

Composição

Peso (g/m²)

Tipo de tecelagem

Ação secundária

Ação primária

02. BUSCA E FILTROS

Nome do tecido

Especificações

Cores disponíveis

Ação secundária

Ação primária

03. DETALHE DO TECIDO

Comparar especificações

Ação primária

04. COMPARAÇÃO

A sua seleção

Resumo

Ação primária

05. CARRINHO

Confirmar Pedido

Ação primária

06. CONFIRMAÇÃO

Os Meus Pedidos

07. HISTÓRICO

Progresso da entrega

08. RASTREIO

Encomenda Entregue

Ação primária

Ação secundária

09. ENTREGA

Avaliar Encomenda

Ação primária

10. AVALIAÇÃO

Treze telas do catálogo digital, desenhadas mobile-first para o contexto real de uso: o representante em pé, no meio de uma conversa de venda.

DECISÃO DE PROCESSO

Por que mobile primeiro, e não depois

O shadowing definiu o contexto dominante: o representante usa o catálogo em pé, em movimento, no meio de uma conversa. Desenhar mobile primeiro não foi preferência, foi consequência de onde a venda acontece.

1

FLUXO DO REPRESENTANTE (MOBILE)

01. CATÁLOGO

02. DETALHE DO TECIDO

03. BUSCA E FILTROS

04. COMPARAÇÃO DE TECIDOS

05. CARRINHO

06. PEDIDO

07. RASTREIO DO PEDIDO

08. HISTÓRICO DE PEDIDOS

09. LOGIN DO REPRESENTANTE

10. AVALIAÇÃO PÓS-ENTREGA

2

ACESSO E CONTA

01. BOAS-VINDAS

02. CRIAR CONTA

03. ENTREGA CONCLUÍDA

09

Escopo entregue

Design system do zero

Tokens de cor, tipografia e espaçamento.

9 componentes

Com variantes e estados documentados.

39 telas

Mobile, tablet e desktop.

Catálogo navegável

Busca, filtro e comparação de tecidos.

Fluxo de pedido

Carrinho, checkout e rastreio.

Rebranding

Posicionamento e identidade visual.

MÉTRICAS DEFINIDAS, NÃO MEDIDAS

ON TRACK

78%

+12%

Taxa de adoção

Representantes usando o catálogo em campo

Meta: 90% em 6 meses

IMPROVING

-62%

-85pp

Erro de referência

Pedidos com referência incorreta

Baseline: 23% de erro

FAST

4.2 min

-7.8 min

Tempo até o pedido

Da apresentação à confirmação

Anterior: 12 min

SAVED

R$ 1.8k

-78%

Custo por coleção

Produção e envio de catálogo físico

Anterior: R$ 8.5k

O lançamento ficou condicionado à autorização do Grupo Paulo de Oliveira, decisão estratégica fora do escopo do projeto de design. Os KPIs acima foram definidos durante o projeto e nunca chegaram a ser medidos em produção.

10

O que este projeto ensinou

01

Quando não há histórico digital, a primeira entrega é a fundação

Antes da interface vieram os tokens, a biblioteca e a regra de manutenção. Sem isso, o catálogo teria virado um arquivo que ninguém conseguiria atualizar depois da saída da designer responsável.

02

Resistência interna carrega informação

As equipes com mais de 20 anos de casa não estavam erradas em ser céticas, sabiam onde o processo antigo funcionava. As melhores decisões vieram de objeções levadas a sério, não de consenso fácil.

03

Contexto de uso precede qualquer decisão de interface

Onde e como o representante usaria o catálogo, em pé, em movimento, dentro de uma conversa com cliente, definiu as prioridades de uma forma que nenhum briefing escrito teria conseguido.

04

Sustentabilidade depois da entrega é decisão de design

Projetar para que uma pessoa não técnica mantivesse o conteúdo pesou tanto quanto qualquer escolha visual. Produto que ninguém consegue atualizar morre na segunda coleção.

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